Sai pacto para redução de gordura até 2010
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PRO TESTE avalia como avanço, mas cobra prazo também para diminuição de sal e açúcar em produto industrializado.

A PRO TESTE Associação de Consumidores avalia como um importante avanço o acordo fechado em dezembro entre o Ministério da Saúde e a indústria brasileira de alimentos industrializados para a redução da gordura trans nos produtos vendidos no país, no prazo de dois anos.

A meta é chegar ao patamar recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS ), que indica o consumo de até 2 g de gordura trans por dia para um adulto.Se o acordo for cumprido haverá a eliminação dessa gordura até o fim de 2010. Mas essas restrições precisam ser estendidas também ao uso de conservantes, excesso de açúcar e sal.

A elevada quantidade de gordura, o abuso do uso de conservantes e o excesso de açúcar e sal são problemas recorrentes detectados nos testes comparativos com alimentos industrializados feitos pela PRO TESTE. A Associação integra o fórum de debates do Ministério da Saúde com os representantes da indústria de alimentos para avaliar alternativas de redução desses índices.

A PRO TESTE promoveu em novembro em São Paulo o Simpósio Alimentação Saudável desde a Infância juntamente com a Associação Paulista de Medicina – APM. Nas conclusões dos debates foi lançada a Carta de São Paulo em que dez entidades cobram da indústria de alimentos e das autoridades ações efetivas para uma alimentação saudável desde a infância.

Pacto pela alimentação saudável

Diante da gravidade da situação em que cerca de 15% das crianças brasileiras sofrem de obesidade, uniram esforços e criaram um Fórum Permanente, as entidades: PRO TESTE, APM, Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Sociedade de Pediatria de São Paulo, Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, Promotoria de Justiça do Consumidor de São Paulo, Associação Brasileira de Nutrologia, Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz, Disciplina de Endocrinologia da Universidade Federal de São Paulo e Núcleo Interdepartamental de Segurança Alimentar Nutricional da Unifesp.

Essa mobilização faz parte da campanha em favor de uma alimentação mais saudável para as crianças que envolvem desde a modificação da composição dos produtos alimentícios destinados à infância até a limitação da propaganda voltada a esse público. Por meio da petição online disponibilizada no site da PRO TESTE a campanha reuniu mais de seis mil assinaturas e foi encaminhada ao governo federal e a indústria junto com a Carta de São Paulo.

Em teste recente com cereais matinais a PRO TESTE detectou problema de excesso de açúcar, sódio e poucas fibras nos 14 produtos avaliados. Também denunciou ao Ministério Público a publicidade abusiva desses alimentos. Em teste de panetones o problema foi também excesso de açúcar.

Em avaliação de bolos prontos, fabricados por seis marcas diferentes, a situação não foi diferente comprovando que a quantidade de gordura trans, o abuso do uso de conservantes e o excesso de açúcar colocam em risco a saúde principalmente de crianças.

Mas outras análises também apontaram problemas semelhantes de desequilíbrio nutricional em iogurtes, batata fritas, picolés e achocolatados; além de cafeína, açúcar e aditivos em refrigerante de cola e excesso de edulcorantes na versão diet/light.

Segundo pesquisa do Ministério da Saúde, até 260 mil mortes poderiam ser evitadas anualmente com uma alimentação adequada da população. De acordo com o IBGE, um dos reflexos do alto teor de sal, açúcar e gordura nos alimentos é o sobrepeso, que atinge 40% das pessoas no país. A obesidade é um problema para 12,7% dos brasileiros. 30% da população são portadores de doenças crônicas não-transmissíveis, como câncer, hipertensão e diabetes.

A PRO TESTE defende a revisão da legislação e maior fiscalização do setor por entender que não pode haver liberalidade com produtos sabidamente prejudiciais à saúde. O papel da entidade tem sido ajudar o consumidor a se tornar mais consciente de suas escolhas alimentares, mostrando como elas podem interferir em sua saúde. As análises comparativas apontam as alternativas para correr menos riscos no consumo de alimentos industrializados.

Discutir com a indústria de alimentos uma alternativa para reduzir a quantidade desses ingredientes é essencial para reduzir a incidência de como diabetes, hipertensão e obesidade. Mas é preciso definir prazos para implantação das mudanças.

A PRO TESTE defende as seguintes mudanças nos alimentos destinados a crianças:

Eliminar a gordura trans produtos destinados ao público infantil – pois esse tipo gordura não é metabolizada pelo organismo e se acumula, levando ao aumento do colesterol e, conseqüentemente, obesidade.
Reduzir o teor de açúcar nesses produtos – pois crianças se acostumam com sabor doce.
Reduzir o teor de gordura total e saturada – as gorduras são importantes na alimentação, mas quando em excesso, só trazem prejuízos, que podem aparecer ainda na infância ou se manifestar apenas na idade adulta.
Incluir na tabela nutricional dos produtos o valor diário recomendado de consumo (%VD) por faixa etária.
A gordura trans está presente em boa parte dos alimentos industrializados. É usada, por exemplo, na fabricação de biscoitos, sorvetes, margarinas, requeijões, frituras, salgadinhos e até nas misturas para bolos e serve para dar consistência aos alimentos e deixá-los frescos por mais tempo. O consumo em excesso de produtos com altos níveis de gordura trans favorece doenças cardiovasculares, causadas pelo acúmulo de placas de gordura nos vasos sangüíneos.


19.12.2008